Monday, February 18, 2013

Drogas e a Barreira Hematoencefálica

 
 
 
 
     A barreira hematoencefálica consiste em uma monocamada contínua de células que regula a passagem de solutos entre o sangue e o sistema nervoso central (SNC). Contudo, não é apenas uma barreira física, atuando também no controle homeostático do SNC, através do controle da passagem de peptídeos e proteínas regulatórias, combustíveis metabólicos, precursores dos neurotransmissores e nutrientes essenciais, sem esquecer de mencionar que suas células também apresentam função enzimática, podendo produzir citocinas, óxido nítrico e fatores tóxicos, quando necessário.
     Essa estrutura costuma ser dividida em duas partes: a barreira vascular (ou endotelial) e a barreira epitelial do plexo coroide (também denominada de barreira do líquido cerebroespinal).
 
Barreira Vascular
 
Barreira do Plexo Coroide
 
 
·         RELEMBRANDO PLEXO COROIDE : Localiza-se no sistema ventricular do cérebro.  É composto por um fino epitélio responsável pela secreção do líquido cerebroespinal, e apresenta um centro de tecido conjuntivo frouxo contendo capilares permeáveis e células linfoides. Participa do suprimento cerebral de nutrientes e hormônios, excreção de resíduos metabólicos ou toxinas, além de processos neuroimunes.
 
 
     As células endoteliais que envolvem os capilares – barreira vascular -  constituem a barreira da medula espinhal e da maior parte do cérebro. Essas células são especialmente modificadas para se adaptarem à sua função, apresentando firmes ligações entre si para evitar o vazamento de fluidos dos capilares ou de tecidos adjacentes. Além disso, atuam com avidez na endocitose de macromoléculas da corrente sanguínea e na reciclagem do plasmalema luminal. Entretanto, a maior parte dessas macromoléculas são degradadas pela via lisossomal. Esse conjunto de características possibilita a permeabilidade seletiva dessa estrutura.
 
 
 
 
   Há diversas formas de entrada de substâncias, inclusive das drogas, no sistema nervoso central através da barreira hematoencefálica. As principais delas são: vazamento residual, difusão pela membrana, sistemas de transporte saturáveis e diapedese.
 
a)      Vazamento residual:
    Existem caminhos extracelulares no espaço subaracnoideo que permitem a passagem de substâncias entre o sangue e o líquido cerebroespinal, permitindo um certo equilíbrio entre algumas substâncias. No entanto, só funciona para poucos compostos, como a albumina, e é bastante lento.
 
IMPORTANTE: Existem regiões do cérebro (órgãos circumventriculares) cuja vascularização não sofre barreira e, portanto, há maior contato entre o sangue e o líquido cerebroespinal. No entanto, as substâncias que entram por essas regiões, não podem se difundir para o restante do sistema nervoso central. A glândula pineal é um importante órgão circumventricular.
 
 
 
 
 
a)      Difusão pela membrana:
     Muitas moléculas endógenas e drogas se difundem através das membranas das células que compõem a barreira.
·         Quanto maior a lipossolubilidade, maior a difusão.
·         Quanto maior o peso molecular, menor a difusão.
    Embora ocorra com menor frequência, substâncias hidrossolúveis, como a morfina e algumas proteínas, podem chegar ao sistema nervoso central por esse método.
 
b)      Transporte saturável:
     Existem sistemas de transporte para a maior parte das substâncias de que o cérebro precisa, mas não consegue sintetizar, como aminoácidos essenciais, vitaminas, glicose, minerais, ácidos nucleicos e eletrólitos. A presença de carreadores acelera bastante o transporte, até o limite de saturação, além de facilitar a passagem de substâncias que têm dificuldade de travessia por outros métodos, como as hidrossolúveis e/ou muito grandes. Há também sistemas de transporte específicos para a comunicação com tecidos periféricos, como os da insulina e da leptina.
IMPORTANTE: Os carreadores não estão uniformemente distribuídos e podem ser regulados alostericamente.
 
                    Difusão e Transporte Saturável             
    
 
a)      Diapedese:
     Trata-se da principal forma de travessia de células do sistema imune. Depende da coordenação entre a invaginação da célula endotelial e a potocitose da célula imune, que é mediada por glicoproteínas de adesão.
 
 
 
 
    Conforme foi observado, a partir do momento em que as drogas conseguem atravessar a barreira hematoencefálica e chegar ao sistema nervoso central, há uma propagação dos seus efeitos no organismo, os quais foram mencionados durante postagens prévias.
     Espero que tenham curtido mais essa postagem. Continuem atentos ao nosso blog, sempre com novas informações a respeito desse universo viciante das drogas!
 
 
BIBLIOGRAFIA: